Amazonas registra maior número de mortes de crianças indígenas no país, aponta relatório do Cimi

  • 13/08/2026
(Foto: Reprodução)
Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, apresenta o relatório. Matheus Santos/Rede Amazônica O Amazonas registrou 306 mortes de bebês e crianças indígenas de até quatro anos em 2025, o maior número entre os estados brasileiros, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O levantamento aponta que, em todo o país, 1.024 crianças indígenas nessa faixa etária morreram no ano passado. No Amazonas, o número representa quase um terço do total nacional. O número de mortes de crianças indígenas no país aumentou em relação a 2024, quando foram registrados 922 óbitos. O Amazonas aparece à frente de Roraima, que teve 158 mortes, e Mato Grosso, com 123. De acordo com o relatório, 586 mortes registradas no país, o equivalente a 57% do total, ocorreram por causas consideradas evitáveis. Entre elas estão gripe e pneumonia, que provocaram 104 mortes; doenças infecciosas intestinais, responsáveis por 85 óbitos; e desnutrição, que causou 32 mortes. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O documento faz parte do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025, divulgado em Brasília. A publicação reúne informações sobre diferentes formas de violência e violações contra povos indígenas no país. Os dados foram levantados pelo Cimi a partir de informações de comunidades indígenas, órgãos públicos e veículos de comunicação, além de bases oficiais de saúde. Agora no g1 Assassinatos e suicídios de indígenas no Amazonas Além da mortalidade infantil, o Amazonas também apresentou o maior número de suicídios entre indígenas em 2025. Foram 77 casos, segundo o Cimi. O estado ficou à frente de Mato Grosso do Sul, com 42, e Roraima, com 37. No Brasil, foram registrados 215 suicídios de indígenas no ano passado. O relatório também aponta que o Amazonas teve 47 assassinatos de indígenas em 2025, ficando atrás apenas de Roraima, que registrou 82 casos. No Brasil, foram 258 assassinatos, número 22% maior que o registrado em 2024. Além dos 258 assassinatos, o relatório contabilizou 38 tentativas de assassinato, 46 casos de racismo e discriminação étnico-cultural, 33 casos de lesão corporal, 25 casos de violência sexual, 27 ameaças, 18 ameaças de morte e 19 casos de abuso de poder. Somadas a outros registros classificados pelo Cimi como violência contra a pessoa, foram 474 ocorrências em 2025. Conflitos por terra crescem O Cimi também identificou aumento dos conflitos relacionados aos direitos territoriais. Foram 169 casos em 23 estados, atingindo 143 Terras Indígenas. Segundo o relatório, dois terços dos territórios afetados tinham alguma pendência de regularização ou ainda aguardavam providências do Estado para o processo de demarcação. A publicação contabilizou ainda 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos ao patrimônio, que atingiram pelo menos 151 Terras Indígenas em 20 estados. Nesse caso, a maior parte dos territórios atingidos já era regularizada: 88 terras indígenas, ou 58,3% do total. No total, o capítulo sobre violência contra o patrimônio reúne 1.276 registros: 897 relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras, 169 conflitos relativos a direitos territoriais e 210 casos de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos. Demarcações de terra Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas contabilizadas pelo Cimi no país, 897 ainda dependem de alguma medida administrativa para regularização. Dentro desse grupo, 582 não tiveram nenhuma providência para iniciar o processo de demarcação. Em 2025, nove Terras Indígenas tiveram relatórios de identificação e delimitação publicados pela Funai, dez receberam portarias declaratórias do Ministério da Justiça, sete foram homologadas e cinco registradas como patrimônio da União, concluindo o processo de regularização fundiária. O relatório também relaciona o cenário registrado em 2025 às disputas políticas e jurídicas envolvendo os direitos territoriais dos povos indígenas, incluindo a Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal. Sobre o relatório, o Governo Federal afirmou que a proteção dos povos indígenas depende da garantia de seus territórios e destaca a retomada da política de demarcação desde 2023. Segundo a nota, 20 Terras Indígenas foram homologadas, somando mais de 3,2 milhões de hectares, além de outras medidas em diferentes etapas de demarcação. O governo também informou que 12 Terras Indígenas passaram por processos de desintrusão, beneficiando mais de 67 mil indígenas e protegendo 27,5 milhões de hectares. Também de que a redução da violência contra os povos indígenas exige ações permanentes de demarcação, proteção territorial, combate a invasões e atividades ilegais, além do fortalecimento dos órgãos públicos e da responsabilização de criminosos. Criança indígena Asurini assiste ao filme durante exibição realizada pelo Curta Xingu em abril de 2023 Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/08/13/amazonas-registra-maior-numero-de-mortes-de-criancas-indigenas-no-pais-aponta-relatorio-do-cimi.ghtml


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