Apresentação do Boi Galante dura menos de 30 minutos em festival no AM; presidente alega falta de repasses, já Secretaria de Cultura atribui a questões internas da agremiação
09/08/2026
(Foto: Reprodução) Boi Galante se apresenta de forma reduzida no 68º Festival Folclórico do Amazonas
O Boi-Bumbá Galante fez uma apresentação reduzida, com menos de 30 minutos, na noite de sábado (8), durante o 68º Festival Folclórico do Amazonas, em Manaus. Em nota divulgada no domingo (9), a coordenação do boi disse que não conseguiu realizar o espetáculo completo por “falta de recursos para mobilidade, logística e operacionalização na etapa final do festival”. (confira a nota na íntegra ao final da matéria).
As seis agremiações de Boi-Bumbá que disputam o festival de 2026 receberam aportes de duas fontes: da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas (SEC). Neste ano, o valor pago a cada agremiação pela Manauscult foi de R$ 157 mil, segundo edital publicado em abril. Já a SEC repassou R$ 150 mil a cada boi.
🔎 O Festival Folclórico do Amazonas também integra as apresentações de seis bois-bumbás: Clamor de Um Povo, Garanhão, Corre Campo, Galante, Brilhante e Tira Prosa. As apresentações dos bois iniciaram no dia 7 e agosto e encerram no último sábado (8), no Sambódromo de Manaus.
Os integrantes do Boi Galante entraram de forma simbólica na arena, com atraso de mais de 1h30 em relação ao horário previsto (20h30). O espetáculo não foi apresentado na íntegra, já que parte dos setores e alegorias não conseguiu chegar ao local.
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De acordo com a agremiação, cenários, fantasias e demais elementos estavam prontos, e os ensaios foram realizados. O problema ocorreu na etapa de transporte da estrutura até a arena.
Em nota, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC) informou que o atraso de mais de 1h30 foi causado “exclusivamente por questões internas da própria agremiação”.
A SEC disse ainda que não cabe ao órgão aplicar penalidades. A pasta destacou que, mesmo com duração inferior a 30 minutos, a apresentação ficou dentro das regras do festival.
“Eventuais pedidos de impugnação cabem, de forma autônoma, às demais agremiações concorrentes junto à comissão julgadora”, informou a secretaria.
Apresentação simbólica do Boi Galante em Manaus
Reprodução/Redes Sociais
Repasse de verbas
O Galante afirmou ainda em nota que os seis bois de Manaus pediram à SEC um complemento de recursos para a reta final do festival. Segundo a agremiação, as verbas recebidas tinham destinações específicas e não foram suficientes para garantir a mobilidade de todos os setores.
O presidente do Galante, Gilson Nascimento, disse ao g1 que os recursos da Manauscult foram usados na produção de alegorias. Parte dos cenários chegou à área de concentração, mas não entrou na arena porque outros setores não conseguiram chegar.
Nascimento afirmou ainda que o recurso recebido por meio da SEC foi destinado à pré-produção, incluindo a confecção de fantasias e a realização de ensaios.
De acordo com o presidente, ficaram sem cobertura financeira despesas relacionadas à logística, como o aluguel de ônibus para transportar os integrantes até a arena. Ele afirmou, ainda, que o adiamento do evento em uma semana elevou os gastos de produção e mobilização da agremiação.
“Com relação à SEC, nós não recebemos verba esse ano. Recebemos via AADC, que foi para a pré-produção. A gente fez as fantasias, os ensaios, tudo que era de nossa responsabilidade. O recurso era para a pré-produção e faltou recurso para essa logística, mobilidade e aluguel de ônibus”, afirmou Gilson Nascimento.
O g1 questionou a SEC sobre o pedido de complemento de recursos mencionado pelo presidente do Boi Galante. Em nota, a pasta confirmou que repassou R$ 150 mil a cada agremiação no dia 23 de julho deste ano.
Segundo a SEC, o valor repassado foi colocado como “pré-produção” em virtude que as agremiações precisariam receber antes o recurso financeiro. A pasta informou, ainda, que o presidente do Boi Galante tem conhecimento do pagamento integral. (veja a nota na íntegra ao final desta reportagem.)
A Secretaria de Cultura afirma que o valor foi pago de forma integral, assim como para os demais bumbás que se apresentaram no Sambódromo de Manaus", declarou a SEC.
Apresentação da Rainha do Folclore
Na apresentação simbólica, a Rainha do Folclore, Marryeth Figueiredo, entrou na arena com um vestido preto, sem a indumentária oficial. Em vídeos publicados nas redes sociais, ela disse que soube horas antes que o Galante não se apresentaria no horário marcado.
Mesmo após saber do cancelamento, Marryeth foi ao Sambódromo para assistir aos demais bois. Ela decidiu entrar na arena ao perceber que parte das alegorias do Galante começava a ser montada, mesmo com estrutura reduzida.
“Algumas alegorias já estavam prontas e começaram a entrar. Aquilo começou a me apertar, então eu fui lá, abracei os meninos que estavam cantando. Ele perguntou se eu queria dançar e eu fui, porque eu amo a cultura. Não estava com vergonha nenhuma”, afirmou.
Nota do Boi Galante
A Associação Folclórica e Cultural Boi Bumbá Galante vem a público prestar esclarecimentos sobre a ausência de alguns setores de nossa agremiação durante a apresentação realizada na noite deste sábado, 8 de agosto, no 68º Festival Folclórico do Amazonas.
Primeiramente, pedimos nossas mais sinceras desculpas aos nossos torcedores, brincantes, artistas, colaboradores, imprensa e ao público em geral, especialmente a todos que aguardavam uma apresentação completa do Boi Galante.
A ausência de alguns setores ocorreu, principalmente, pela falta de recursos destinados à mobilidade, logística e operacionalização da etapa final, necessários para colocar toda a estrutura preparada do Boi Galante dentro da arena.
É importante esclarecer que os seis bois de Manaus já vinham buscando, junto à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), um complemento de recursos justamente para atender às necessidades da reta final e evitar que dificuldades dessa natureza pudessem comprometer a apresentação de alguma das agremiações.
No caso específico do Boi Galante, os recursos recebidos neste ano tiveram destinações previamente estabelecidas. O apoio recebido por meio da Manauscult foi destinado aos cenários alegóricos, que foram devidamente confeccionados e estavam prontos para a apresentação.
Já o recurso recebido por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), via AADC, foi destinado à pré-produção, compreendendo o período de preparação e realização dos ensaios necessários à montagem do espetáculo.
Queremos deixar claro que o trabalho de preparação foi realizado. As fantasias dos vaqueiros, rapazes, lanças e demais elementos previstos foram confeccionadas e estavam preparadas antes da apresentação. Os ensaios também foram realizados conforme estabelecido contratualmente, existindo documentação capaz de comprovar a execução dessas etapas.
Portanto, o que enfrentamos não foi um problema relacionado à falta de preparação dos setores, mas uma dificuldade financeira específica na etapa de mobilidade, logística e operacionalização necessárias para levar toda essa estrutura até a arena.
Recebemos apoio para a pré-produção, cumprimos essa etapa e preparamos o espetáculo. Entretanto, não dispusemos, na reta final, dos recursos necessários para garantir a mobilidade de todos os setores e colocar na arena tudo aquilo que havia sido produzido.
Lamentamos profundamente que essa situação tenha resultado na ausência de setores importantes de nossa apresentação. Sabemos da expectativa criada em torno do Boi Galante e, principalmente, reconhecemos o esforço de cada brincante, artista, trabalhador e colaborador que dedicou seu tempo e seu talento durante meses de preparação.
RESPEITO À HONRA DAS PESSOAS E DA INSTITUIÇÃO
O Boi Galante compreende, respeita e continuará respeitando o direito de cada cidadão de criticar, questionar, cobrar explicações e manifestar sua insatisfação com nossa apresentação. Faz parte da vida pública de uma agremiação cultural ouvir seu público e responder pelos seus atos com responsabilidade e transparência.
Entretanto, crítica é diferente de ofensa, difamação, acusação sem provas ou ataque à honra e à moral de pessoas e da própria instituição. Infelizmente, após a apresentação, algumas pessoas, sem conhecerem profundamente a realidade dos fatos, as limitações enfrentadas e todo o processo de preparação desenvolvido ao longo do ano, apressaram-se não apenas em julgar, mas também em promover ataques pessoais contra integrantes da direção e contra a imagem do Boi Galante.
Por trás de uma agremiação existem pessoas, famílias, artistas, trabalhadores e dirigentes que dedicam meses de suas vidas à preservação da nossa cultura, muitas vezes enfrentando dificuldades que não chegam ao conhecimento do público. Nenhuma frustração ou divergência justifica tentar destruir reputações construídas ao longo de anos de trabalho e dedicação.
Por essa razão, a Associação informa que eventuais manifestações que ultrapassem os limites da crítica e configurem, em tese, ofensas à honra, acusações falsas, ameaças ou outras condutas ilícitas serão devidamente documentadas e encaminhadas ao setor jurídico do Boi Galante para análise e, quando cabível, adoção das medidas legais pertinentes.
Não pretendemos silenciar críticas nem impedir questionamentos. Pelo contrário: estamos aqui justamente para prestar os esclarecimentos necessários. O que não aceitaremos é que a legítima cobrança seja utilizada como justificativa para ataques pessoais, humilhações públicas ou acusações irresponsáveis contra quem dedica grande parte do ano à construção do nosso espetáculo e à defesa da cultura popular amazonense.
O Boi Galante reafirma seu respeito às instituições que contribuíram para a realização do projeto e agradece os apoios recebidos. Este esclarecimento não tem o propósito de transferir responsabilidades, mas de apresentar, com transparência, as circunstâncias que impediram que todo o trabalho preparado chegasse à arena.
Pedimos mais uma vez desculpas a todos que acreditaram, trabalharam, torceram e esperaram ver o Boi Galante completo na arena. Uma noite difícil não apaga uma história. Uma dificuldade não apaga o trabalho de um ano inteiro. E nenhuma crítica injusta será maior que o amor daqueles que mantêm viva a nossa cultura.
Seguiremos trabalhando, corrigindo o que for necessário e defendendo melhores condições para que o nosso boi e as demais agremiações de Manaus possam levar ao público espetáculos à altura da grandeza e da importância do nosso folclore."
Nota da SEC sobre a ausência de apresentação
"O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, esclarece que o atraso de mais de 1h30 na apresentação do Boi Bumbá Galante, ocorrido na segunda noite dedicada aos bumbás de Manaus no encerramento do 68º Festival Folclórico do Amazonas (Categoria Ouro), decorreu exclusivamente de questões internas da própria agremiação.
A Secretaria ressalta que cumpriu rigorosamente com o apoio institucional, garantindo a infraestrutura necessária e o aporte financeiro integral para a participação do bumbá no evento.
Informa-se, ainda, que não cabe ao órgão estadual a aplicação de penalidades, uma vez que a apresentação do Galante, mesmo realizada em tempo inferior a meia hora, permaneceu dentro do previsto no regulamento do festival. Eventuais pedidos de impugnação cabem, de forma autônoma, às demais agremiações concorrentes junto à comissão julgadora."
Nota da SEC sobre os repasses
"O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa esclarece que:
O aporte financeiro pago ao Boi-Bumbá Galante foi realizado no dia 23 de julho, no valor de R$ 150 mil. A Secretaria de Cultura afirma que o valor foi pago de forma integral, assim como para os demais bumbás que se apresentaram no Sambódromo de Manaus.
Foi colocado como “pré-produção” em virtude que as agremiações precisariam receber antes o recurso financeiro, pago aos bumbás de Manaus.
A pasta da Cultura ressalta que o presidente do Boi Galante, sr. Gilson Nascimento, está ciente do pagamento integral."