Colheita de soja começa em Roraima sob risco de queda de 50% na produção por causa da seca
09/08/2026
(Foto: Reprodução) Plantação de soja pronta para colheita em Roraima
Raquel Maia/Amazônia Agro
A colheita da soja começou em Roraima, mas a falta de chuva durante o desenvolvimento das lavouras deve reduzir a produtividade da safra pela metade. A previsão inicial era superar 500 mil toneladas do grão, mas o estado pode deixar de colher aproximadamente 260 mil toneladas, conforme estimativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja).
No ano passado, Roraima colheu mais de 430 mil toneladas de soja. Neste ano, a falta de chuva, influenciada pelo El Niño, afetou o desenvolvimento das lavouras e reduziu a expectativa para a safra.
O impacto também é financeiro. A Aprosoja estima que as perdas na colheita devem chegar a R$ 500 milhões que deixarão de ser gerados diretamente no campo. Considerando os impactos nos demais setores ligados ao agronegócio, o prejuízo para a economia de Roraima pode ultrapassar R$ 2 bilhões.
A falta de água que comprometeu as lavouras era prevista pelos órgãos de monitoramento climático. A estiagem está associada à influência do El Niño, fenômeno que altera o regime climático em diferentes regiões do país. A Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) havia alertado para os efeitos do fenômeno no estado durante este período.
Colheitadeira em plantação de soja em Roraima
Raquel Maia/Amazônia Agro
Início da colheita
Na Fazenda Flórida do Norte, na zona rural de Boa Vista, as máquinas começaram a entrar nos talhões para colher há poucos dias. O produtor rural Lucas Cavalca explica que a colheita ocorre de forma escalonada, conforme cada área atinge o ponto ideal.
A soja cultivada na propriedade tem um ciclo de aproximadamente 90 dias, mas a falta de chuva também alterou o manejo de algumas áreas.
Apesar de as primeiras áreas apresentarem resultado satisfatório, Lucas afirma que a expectativa para o restante da colheita é de uma produtividade menor.
"A gente está tendo uma boa produtividade, poderia ser melhor, mas o estado sofreu muito com a seca este ano. Então as primeiras sojas a gente está tendo um bom resultado, mas a tendência daqui para frente é que infelizmente não seja um ano muito bom", destacou.
LEIA TAMBÉM:
Agronegócio, produção rural: tudo sobre o Amazônia Agro
Veja todas as reportagens do agro em Roraima
A água é fundamental para o desenvolvimento da soja, principalmente durante as fases de floração e enchimento dos grãos. Quando a planta passa por um período prolongado de estiagem, reduz a absorção e o transporte de água e nutrientes.
Na prática, isso pode resultar na formação de menos grãos e no menor enchimento dos que já se desenvolveram, o que reduz o peso e, consequentemente, a produtividade final da lavoura.
Como a colheita ainda está em andamento na Fazenda Flórida do Norte, o produtor não consegue mensurar com precisão o tamanho da perda. A estimativa, no entanto, é de uma redução de aproximadamente 30% na produtividade, podendo ser ainda maior nas áreas mais afetadas pela falta de água.
"A gente sabia da possibilidade do El Niño, mas acho que ninguém previu que ia cortar tão cedo a chuva. Então assim é um ano bem difícil para o estado", pontuou.
Mesmo com o cenário climático desfavorável, a colheita continua. Para o produtor, a atividade rural exige capacidade de adaptação diante das dificuldades e disposição para seguir produzindo mesmo quando as condições não são as esperadas.
"É mais um desafio que a gente vai ter que enfrentar. O agricultor é resiliente, não desiste fácil. Então, os problemas que tiverem, a gente vai resolver e vai continuar trabalhando", disse Lucas.
Em 2025, o estado tinha 132.421 hectares plantados. Para 2026, a estimativa era de aumento para 144.893 hectares, conforme previsão do governo, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi).
Outras notícias sobre soja em Roraima
Testes em campo ajudam produtores a escolher cultivares de soja adaptadas para Roraima
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.