Professor de jiu-jítsu é preso suspeito de estuprar pelo menos 7 alunas e oferecê-las a empresários em Manaus

  • 06/07/2026
(Foto: Reprodução)
Professor de jiu-jítsu investigado por estupro de alunas é preso em Manaus O professor de jiu-jítsu Carlos Vieira Holanda foi preso pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), nesta segunda-feira (6). Ele estava foragido há mais de um mês e é investigado por estupro de vulnerável, importunação sexual e exploração sexual. Até a última atualização desta reportagem, pelo menos sete alunas adolescentes foram identificadas como vítimas, mas a polícia acredita que o número pode ser maior. De acordo com a delegada Mayara Magna, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), o suspeito "prometia quimonos, prometia pagar inscrições e acabava levando essas adolescentes para um ambiente que não poderia, um hotel, e acabava estuprando". 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A DEPCA descobriu que o esquema ia além dos abusos cometidos pelo próprio professor. A investigação apontou que ele também atuava na exploração sexual das adolescentes, intermediando o contato delas com patrocinadores para obter vantagens financeiras. "Uma delas ele obrigou essa menina até ir ao empresário e que ela tinha que fazer conteúdo sexual com esse empresário. Então ele também angariava essas adolescentes para que ele pudesse ter benesse também com esses empresários", afirmou a delegada Mayara Magna. Ainda segundo a polícia, o investigado costumava oferecer as vítimas aos empresários com o pretexto de que eram adolescentes recém-chegadas ao esporte. "Ele chegava a mencionar, não com essas palavras em si, mas que tinha meninas novas. Isso para ele era comum. Aí esses patrocinadores, infelizmente abusadores também, que vão responder pelos crimes, acabavam que se aproveitavam dessas vulnerabilidades dessas vítimas", explicou a titular da DEPCA. Medo das vítimas e denúncias Segundo a DEPCA, as sete adolescentes só tiveram coragem de denunciar os abusos após a repercussão recente de outros casos de violência sexual no meio esportivo. O professor se utilizava de sua posição para intimidar as jovens e minimizar a gravidade dos atos. "Algumas vítimas estão com medo de vir até aqui por tudo que ele poderia, por tudo que ele faria, porque ele é um cara, em tese, influente e que ele acabava se utilizando dessa condição de professor e de conhecedor de várias pessoas e também do mundo do esporte para dizer a essas vítimas que não fizessem isso e inclusive mostrar para elas que isso não era nada sério, que isso era uma bobagem, que isso não era criminoso", detalhou Mayara Magna. A delegada chegou a fazer um apelo para que outras possíveis vítimas procurem a delegacia e reforçou que a conduta do homem é um caso isolado. "É importante também a gente que a gente não pode demonizar o esporte. Não significa que, por ter acontecido isso, o esporte não seja um ambiente sadio e salubre. Infelizmente há abusadores que se aproveitam dessas condições para violentar", completou. Professor de jiu-jítsu Carlos Vieira Holanda é preso suspeito de estuprar pelo menos 7 alunas e oferecê-las a empresários em Manaus Daniel Ramos/Rede Amazônica Tentativa de fuga pela laje O professor de jiu-jítsu já era considerado foragido da Justiça. No fim de maio, a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) chegou a divulgar a foto de Carlos para pedir a ajuda da população com informações sobre o paradeiro dele. Nesta segunda (6), Carlos foi localizado por volta das 6h na própria residência, onde toda a família estava dormindo. Para evitar a prisão, o suspeito havia modificado o local para criar saídas estratégicas. "Ele já tinha montado várias rotas de fuga. Inclusive hoje, quando nós entramos na casa e tentamos prender, ele pulou para a laje e de lá já tinha várias, como eu posso dizer, tábuas que era como ele fosse fugir. Só que nós já tínhamos investigado todo o terreno e tinha policiais em todos os locais", relatou a delegada. Um homem que estava no local tentou correr para avisar o professor sobre a chegada dos agentes, mas a equipe agiu rápido e efetuou a prisão. Todos os envolvidos que ajudaram o foragido a se esconder também serão investigados. Ao ser conduzido à delegacia, o investigado preferiu não prestar depoimento formal, mas alegou ser inocente. "Eu ainda questionei o motivo dele ter fugido, já que ele era inocente, e ele não respondeu", pontuou a delegada. Carlos Vieira Holanda foi encaminhado para exame de corpo de delito, na manhã desta segunda (6) e, em seguida, seguirá para a audiência de custódia, onde ficará à disposição do Poder Judiciário. Pastor é preso no AM suspeito de abusar de criança após se aproximar da família com orações para 'afastar demônios', diz polícia Empresário suspeito de estuprar adolescentes usava promessas de viagens, celulares e emprego no AM Relembre outros casos Com a prisão de Carlos Vieira, chega a cinco o número de professores de jiu-jitsu presos no Amazonas em menos de três anos por suspeita de crimes sexuais. O primeiro caso foi registrado em novembro de 2024, quando o professor Alcenor Alves Soeiro, de 56 anos, foi preso em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. As investigações começaram após três alunos procurarem a Polícia Civil para denunciá-lo. Após a prisão, outras vítimas também procuraram as autoridades e relataram supostos crimes cometidos pelo professor. Alcenor Alves foi condenado a 178 anos e 5 meses de reclusão, além de 3 anos de detenção e pagamento de multa. Na sentença, a juíza Dinah Câmara Fernandes considerou a gravidade dos crimes e determinou o cumprimento da pena em regime inicial fechado. Já em junho de 2025, outro professor de jiu-jitsu, que não teve o nome divulgado, foi preso em Humaitá, no interior do Amazonas. Ele é suspeito de estuprar ao menos cinco alunos, todos meninos entre 7 e 11 anos. De acordo com a polícia, os crimes eram praticados dentro da própria academia, que funcionava na residência do investigado. A terceira prisão ocorreu em abril de 2026. O treinador Melqui Galvão, que também é policial civil, foi preso em São Paulo após denúncias de abuso sexual envolvendo ao menos três vítimas em Manaus, entre elas uma adolescente de 17 anos. Segundo as investigações, o caso começou a ser apurado após uma ex-aluna do treinador denunciar atos libidinosos sem consentimento durante uma competição esportiva realizada fora do país. Pouco mais de um mês depois, em 1º de junho deste ano, um professor de jiu-jitsu de 59 anos, que também não teve a identidade divulgada, foi preso em Manaus. Ele é suspeito de produzir, armazenar e compartilhar material de exploração sexual envolvendo adolescente de 14 anos.

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/07/06/professor-de-jiu-jitsu-procurado-por-crimes-sexuais-e-preso-no-amazonas.ghtml


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